Como o blockchain vai revolucionar a área da saúde?

Por que o setor da saúde está pronto para a disrupção do blockchain? O que importa são os dados.

O mundo tecnológico não consegue parar de falar sobre blockchain e uma implementação necessária dele seria na área da saúde.

Em uma conferência sobre sistemas da informação da área da saúde da Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS) em 2018, “foi impossível ignorar o burburinho crescente sobre blockchain”.

Fora o “buzz” e o “hype”, quais são as formas significativas que o blockchain pode mudar a área da saúde? Onde veremos esses desenvolvimentos?

Dados da área da saúde hoje, blockchain amanhã

Antes de responder a pergunta acima, vamos analisar a importância do blockchain e dos dados na área da saúde.

Todos nós já ouvimos falar sobre blockchain, alicerce da criptomoeda mais popular do mundo, o bitcoin. Blockchain, registro distribuído descentralizado, registra dados e transações de forma distribuída (e transparente).

Gartner, empresa de pesquisa em tecnologia, estima que o valor das tecnologias e soluções de blockchain vai atingir US$ 176 milhões até 2025 e mais US$ 3,1 trilhões até 2030. Já o Deutsche Bank prevê que sistemas de blockchain irão registrar transações, representando 10% do PIB mundial até 2027.

Então por que o setor da saúde está pronto para a disrupção do blockchain? O que importa são os dados.

Um analista da Zacks — empresa de análise, pesquisa e recomendações de mercado — explicou da seguinte forma: “devido à demanda crescente de integração de dados entre planos e fornecedores, o setor da saúde está pronto para se beneficiar bastante da tecnologia de registro distribuído do blockchain”.

“Se beneficiar bastante?” Palavras fortes.

Mas ao alimentar dados em tempo real sobre pacientes e médicos, blockchain “tem o poder de reviver a indústria da saúde ao reorganizar operações, gerar novos modelos de negócio e integrar registros médicos dos pacientes”.

O armazenamento de registros dos pacientes e os modelos de precificação são duas formas em que o blockchain poderá mudar o setor da saúde a curto prazo.

Mudanças nos registros de saúde e dados médicos dos pacientes

Os Registros Eletrônicos em Saúde (RES) têm servido como o sistema de registro de dados médicos fundamental desde 1999. Os principais sistemas de RES são alimentados por empresas como EpicCernerathenahealth e outras.

Agora, estas armazenam quantidades volumosas de importantes dados de saúde dos pacientes. Mas ainda não uniram forças para se tornar uma estrutura nacional de informações de saúde.

Em vez disso, “temos muitos recursos e informações acumuladas que não são bons”, afirma Jonathan Bush, CEO da athenahealth. “Então precisamos criar um novo modelo.”

Pode ser que, no futuro, vejamos esse novo modelo tomar forma.

Blockchain é um registro distribuído, de validação de dados, não uma base de dados. Enquanto não substitui os RES, pode fornecer suporte para um sistema de registros mais seguro, universalmente acessível e amplo.

“Atualmente, o histórico médico de um paciente é um quebra-cabeças com suas peças espalhadas por diversos fornecedores e organizações”, afirma Robert Lord, contribuidor da Forbes e presidente da Protenus, plataforma de análise de compliance na área da saúde.

“Blockchain poderia nos ajudar a unir todas essas peças em tempo real e visualizar todo o contexto de saúde de um paciente com a confiança de saber que são abrangentes e estão atualizadas.”

Esse acesso mundial, altamente distribuído e seguro aos dados dos pacientes é revolucionário, pois forneceria acesso autêntico e universal a registros médicos de pacientes em qualquer lugar do mundo.

Mudanças na precificação e nos modelos de pagamento de serviços da saúde

Blockchain também vai mudar a forma como serviços de saúde em geral são precificados e pagos. Essas mudanças são bem-vindas graças à melhoria da gestão de identidade, aos contratos inteligentes e à comunicação instantânea entre máquinas possibilitados pelo blockchain. 

Por exemplo, PokitDok, empresa de API (interface de programação de aplicações) de saúde, firmou uma parceria com a Intel para oferecer Dokchain, um padrão agora apoiado por diversas empresas, incluindo Ascension, Amazon e Guardian.

A solução permite que requerimentos sejam processados em questão de segundos em vez de semanas ou meses. Assim, a solução também pode “validar a cadeia de fornecimento”, afirma Ron Miller da TechCrunch.

“Por exemplo, quando um médico escreve uma prescrição, ela fica registrada no blockchain com uma precificação justa para o consumidor [com] grandes implicações para inventários e para a gestão de pedidos de suprimentos médicos e remédios.”

WELL, uma rede de serviços médicos alimentada por blockchain, é outra empresa inovadora que melhora aspectos fundamentais do serviço da saúde.

A empresa permite que pacientes firmem contratos com profissionais da saúde em todo o mundo, incluindo médicos-especialistas, terapeutas e psicólogos ao facilitar a verificação e o reembolso de seguros em tempo real através de tokens WELL.

Em vez de demorar dias para realizar pagamentos tradicionais, os tokens WELL transferem fundos imediatamente — por meio de contratos inteligentes — sobre a conclusão de certas etapas (visitas, aprovação de recibos), além de tornar possíveis os pagamentos internacionais.

Conforme exemplificado pela WELL e pela PokitDok, tecnologias de blockchain e a tokenização de ativos vão ser usadas para solucionar problemas fundamentais dos serviços de saúde, incluindo os tradicionais modelos de pagamentos e de precificação. Na verdade, já estão sendo usadas.

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